Cultura é uma palavra que vem do latim e tem vários significados. No nosso caso, vamos nos apropriar do sentido antropológico de cultura, que é o conjunto de padrões de comportamento, crenças, conhecimentos, costumes etc. que distinguem um grupo social. Muitas pessoas confundem cultura com arte ou com bom gosto e gestos sofisticados, mas ela é mais do que isso, como você pode ver, pela definição acima. Nesse texto, vamos procurar entender um pouco da cultura do Século XX (1901 a 2000), com muitas imagens e poucas palavras:
1) Arquitetura: refere-se a toda construção e modelagem artificial do ambiente físico, incluindo seu processo de projeto e o produto deste, sendo a palavra também usada para definir os estilos e métodos de projeto das construções de uma época. Podemos citar a Escola Bauhaus, fundada em 1919 pelo arquiteto alemão Walter Gropius (1883/1969), os arranha céus (Empire State Building, 1931, World Trade Center, 1973, Sears Tower, atual Willis Tower, 1974 e Petronas Twin Towers, 1998, entre outros) e as obras de Oscar Nimeyer (1907/2012), como a Catedral de Brasília (e os outros palácios da capital) e o Museu do Olho, em Curitiba, entre outros.
2) Escultura: é uma arte que representa ou ilustra imagens plásticas em relevo total ou parcial. Podemos citar a Fonte Barmaley, criada por Romuald Iodko em 1930, e que acabou virando um dos símbolos da Segunda Guerra Mundial, o Cristo Redentor (criado por Paul Landowski, em 1931) e considerado uma das Sete Maravilhas do Mundo Moderno (2005) e Os Candangos (escultura feita por Bruno Giorgi, em 1959, e que está em Brasília), entre outros . Na cultura popular, podemos citar os bonecos do Mestre Vitalino (Vitalino Pereira dos Santos, 1909/1963), entre outros.

No exemplo que escolhemos, Eric Hobsbawm chamou o Século XX de Era dos Extremos (para ele, o Século XX foi da tragédia a uma Era de Ouro, dos extremos, e da luta entre EUA e União Soviética, duas ideologias diferentes). O artista que fez a capa escolheu algumas imagens desse Século: Mao Tsé-Tung (China Comunista), Stalin (União Soviética), Gandhi (Índia), uma rodovia, hippies (provavelmente relação à Guerra do Vietnã), uma televisão e um astronauta. Dessa forma, foi feita uma síntese do Século XX, com poucas palavras e imagens. Agora, faça a sua:
A POLÍTICA DA BOA VIZINHANÇA
A Política de Boa Vizinhança (Good Neighbor Policy, em inglês) foi uma iniciativa política criada e apresentada pelo governo dos EUA, durante o Governo de Franklin Roosevelt, na Conferência Panamericana de Montevidéu (Uruguai), em 1933. Lembremos que, desde o Século XIX (Doutrina Monroe, “América para os americanos”) já se pensava nos EUA “dominando” o continente, seja pela força (“Big Stick”, de Theodore Roosevelt) ou pela diplomacia (a ideia de Franklin Roosevelt).
Mas a guerra iniciada em 1939 afetava diretamente os interesses estadunidenses no mundo. Uma dessas zonas de interesse era a América Latina. Em relação aos países ao sul de sua fronteira meridional, havia o entendimento de que o crescente “expansionismo alemão ameaçava o hemisfério e o equilíbrio montado pelos Estados Unidos”.
Para dificultar a situação dos Estados Unidos, na América Latina, nos anos que antecederam e iniciaram a década de 1940, verificou-se uma simpatia de alguns de seus governantes às políticas adotadas pelos países de políticas fascistas, como foi o caso de Getúlio Vargas (Brasil), Maximiliano Hernández Martinez (El Salvador) e outros.
Oficialmente essa política consistia em investimentos e venda de tecnologia norte-americana para os países latino-americanos, mas em troca, esses deviam dar apoio à política norte-americana. Ela consistia, no entanto, de um esforço para aproximação cultural entre EUA e América Latina, cujas relações vinham se deteriorando devido ao forte intervencionismo norte-americano durante a política do Big Stick (já citado), em 1901.
Foi uma época em que gradativamente o "american way of life" foi ganhando espaço na sociedade brasileira, graças a um cuidadoso plano de conquista comercial. Esse plano fazia parte da estratégia dos Estados Unidos de promover a cooperação interamericana e a solidariedade hemisférica, enfrentar o desafio do Eixo e consolidar-se como grande potência. A campanha teve início com a propagação dos "valores pan-americanos" durante as conferências interamericanas.
O passo seguinte foi a criação, em agosto de 1940, de uma superagência de coordenação dos negócios interamericanos, sob a chefia de Nelson Rockfeller e vinculada ao Conselho de Defesa Nacional dos Estados Unidos. Na área cinematográfica, tanto os filmes de ficção quanto os documentários desempenhavam o papel de difusores culturais e ideológicos.
Procurava-se evitar a distribuição na América Latina de filmes que expusessem instituições e costumes norte-americanos malvistos, como a discriminação racial, ou que pudessem ofender os brios dos latino-americanos. Os bandidos mexicanos, por exemplo, foram banidos das produções de Hollywood. Outra importante iniciativa foi a criação de personagens que ajudassem a fomentar a solidariedade continental. Data dessa época o nascimento do conhecido personagem dos Estúdios Disney, o papagaio Zé Carioca, que “nasceu” no filme Saludos Amigos (1942), contracenando com o Pato Donald, e reaparecendo em Você Já Foi à Bahia? (1944). Durante todo o seu tempo de vida, essa superagência americana contou com ativa colaboração do DIP (Departamento de Imprensa e Propaganda brasileiro, criado por Vargas), quer na condução de projetos conjuntos, quer como órgão de apoio à sua ação no Brasil.
Foi nessa época que a cantora Carmen Miranda (1909/1955) se tornou símbolo da cultura brasileira nos Estados Unidos, assim como outros (Xavier Cugat, de Cuba, Dolores del Rio e Lupe Velez, do México, e outros) que faziam Hollywood “latinizar-se”, com astros dançando rumba e outros ritmos, em filmes supostamente ambientados na Argentina ou no Rio de Janeiro (com o Pão de Açúcar ao contrário, ao fundo).
Já no plano econômico, a política de boa vizinhança convinha aos esforços dos Estados Unidos para se recuperar dos efeitos da Crise de 1929 sobre sua economia. A retórica da solidariedade e os métodos cooperativos no relacionamento com os países latino-americanos facilitavam a formação de mercados externos para os produtos e investimentos norte-americanos, além de garantir o suprimento de matérias-primas para suas indústrias. A implantação dessa nova estratégia de relacionamento com a América Latina representou a vitória da corrente política do governo norte-americano que advogava o livre-cambismo como solução para a recuperação econômica dos Estados Unidos no plano internacional.
Terminada a guerra, o governo dos EUA encerrou as atividades da agência, deixando a cargo da embaixada americana no Brasil a condução de algumas de suas atividades. Porém, ela nunca foi simétrica: enquanto na América Latina propagavam-se as qualidades da cultura norte-americana, como os valores democráticos e o industrialismo, nos EUA caracterizava-se a cultura Latina pelas belezas naturais e o exotismo. Foi assim que passamos a consumir jeans e camisetas, Coca-Cola, canetas Parker, sabonetes Gessy, carros Ford e Chevrolet, etc.
a) Pesquise e explique as três etapas da política norte americana, para a América Latina:
b) como a Política da Boa Vizinhança afetou o Brasil?
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