segunda-feira, 21 de setembro de 2020

SEGUNDOS ANOS - ATIVIDADE 4 (TERCEIRO TRIMESTRE) - O PERÍODO 1711 A 1750

Para finalizarmos os estudos deste ano, vamos fazer uma pequena análise da primeira metade do Século XVIII (1701 a 1750). Até então, havia ocorrido a Revolução Gloriosa, na Inglaterra e desenvolvia-se o Iluminismo, em vários países europeus. Mas, a Independência dos Estados Unidos da América (1776), a Revolução Francesa (1789), a Inconfidência Mineira (1789) e a Conjuração Baiana (1798) só ocorreriam na segunda metade desse mesmo Século. O que podemos perceber são os pequenos sinais de mudanças, que já estavam acontecendo:


Museu: O espírito enciclopédico dos iluministas fortaleceu a associação do conhecimento com a razão, a ordem e a moral, favorecendo a formação de acervos sistemáticos e a atuação de instituições culturais com objetivos educativos e públicos. Acima, um quadro de Johan Joseph Zoffany (1733/1810), mostrando a Galeria degli Uffizi (Galeria dos Escritórios) em Florença.

1711 - fundação da Capitania de Nossa Senhora do Rosário de Paranaguá; nascimento do filósofo escocês David Hume; fim da Guerra dos Mascates;

1712 - Thomas Newcomen (1664/1729) instalou sua primeira máquina a vapor para drenar a água acumulada nas minas de carvão em Staffordshire, que ficavam muitas vezes inundadas; a colônia inglesa da Carolina dividiu-se em Norte e Sul, mas sob os mesmos proprietários; nascimento do filósofo franco-suíço Jean-Jacques Rousseau;

1713 - assinatura do Tratado de Utrecht (por ele, o Rio Oiapoque passou a ser a fronteira entre o Brasil e a Guiana Francesa), entre Portugal e França; nascimento do filósofo e escritor francês Denis Diderot;

1714 - o Ducado de Saboia e Piemonte tornou-se Reino da Sardenha; nascimento do Rei José I, de Portugal;

1715 - a Colônia de Sacramento, que estava ocupada pelos espanhóis, foi devolvida aos portugueses, pelos segundo Tratado de Utrecht; falecimento de Luís XIV, da França; seu sucessor foi seu bisneto, Luís XV (1710/1774);

1717 - fundação de Montevidéu, no atual Uruguai; 

1719 - fundação de Cuiabá, no atual Mato Grosso; Daniel Defoe (1660/1731) publicou Robinson Crusoe;

1720 - Minas Gerais tornou-se uma Capitania;

Resumo da Década: podemos perceber o início da Revolução Industrial, com a criação de máquinas movidas a vapor (1712), a organização das fronteiras brasileiras, com os tratados de Utrecht (1713 e 1715) e a criação da Capitania de Minas Gerais (1720), com a descoberta de ouro na região (em 1763, a Capital do Brasil seria transferida, de Salvador para o Rio de Janeiro, devido à importância do ouro). Abaixo, Jean-Jacques Rousseau:

1722 - o explorador holandês Jakob Roggeven (1659/1729) descobriu a Ilha de Páscoa;

1723 - apresentação das Quatro Estações, de Antonio Vivaldi (1678/1741); nascimento do economista e filósofo britânico Adam Smith;

Primavera (Quatro Estações): https://www.youtube.com/watch?v=MJ40QQ78Wjs

1724 - nascimento do filósofo prussiano Immanuel Kant;

1725 - com a morte de Pedro, o Grande, Catarina I (1684/1727) tornou-se Imperatriz da Rússia; foi encontrado ouro em Goiás;

1726 - fundação de Nossa Senhora do Desterro (atual Florianópolis), em Santa Catarina; fundação de Fortaleza, no Ceará;

1727 - morte do Rei Jorge I da Grã-Bretanha, sucedido por seu filho Jorge II (1683/1760); com a morte de Catarina I, subiu ao trono o seu enteado, Pedro II (1715/1730), como Imperador da Rússia;

1728 - nascimento do explorador britânico James Cook;

1729 - descoberta de diamantes no Arraial de Tijuco (atual Diamantina, MG); nascimento de Cláudio Manuel da Costa, poeta e jurista mineiro;

1730 - nascimento de Antônio Francisco Lisboa, o Aleijadinho;

Resumo da Década: nessa década, o destaque são para os nascimentos, de Immanuel Kant (imagem abaixo), do explorador James Cook (explorou a Austrália e a Nova Zelândia), e dos brasileiros Cláudio Manuel da Costa e Antônio Francisco Lisboa.

1731 - criação da Medalha Copley, mais antiga premiação científica do Reino Unido (o primeiro premiado foi o astrônomo Stephen Gray, 1666/1736);

1732 - nascimento de George Washington, primeiro Presidente dos Estados Unidos da América;

1733 - James Edward Oglethorpe (1696/1785) fundou Savannah, capital da Província da Geórgia (EUA); nascimento do cientista inglês Joseph Priestley (descobridor do oxigênio); 

1734 - Voltaire publicou Cartas Filosóficas e Montesquieu publicou O Espírito das Leis; nascimento da futura Rainha Maria I, de Portugal;

1735 - o botânico, zoólogo e médico sueco Carl Lineu (1707/1778) publicou sua classificação dos reinos animal, vegetal e mineral;

1736 - nascimento de James Watt, inventor da máquina a vapor;

1738 - nascimento do médico francês Joseph-Ignace Guillotin, inventor da guilhotina;

1739 - nascimento de Antônio de Sant'Anna Galvão, o Frei Galvão, primeiro santo brasileiro;

Resumo da Década: nessa década, o destaque é para a ciência, com a criação da Medalha Copley e o nascimento de James Watt (abaixo). Como sabemos, as máquinas a vapor utilizam o calor como energia, e Heron de Alexandria (10/80) já havia inventado a heolípila (ou "bola de vento") no início da Era Cristã. na Era Moderna, mereceram destaque Thomas Savery (1698), Thomas Newcomen (1712) e Joseph Cugnot (1769). Mas, de todas, a invenção de James Watt (1777) foi a mais importante: ele aperfeiçoou a máquina de Thomas Newcomen, diminuindo o tempo de aquecimento, essencial para a movimentação das máquinas.

1741 - nascimento do poeta brasileiro José Basílio da Gama;

1743 - nascimento de Thomas Jefferson, futuro Presidente dos Estados Unidos da América; nascimento do médico, filósofo, teorista, jornalista, político e cientista político francês Jean-Paul Marat; nascimento do químico francês Antoine Lavoisier, o "pai da Química Moderna";

1744 - nascimento de Mayer Amschel Rothschild, banqueiro judeu prussiano, fundador da poderosa Família Rothschild; nascimento de Inácio José de Alvarenga Peixoto, escritor e político brasileiro;

1746 - nascimento de Joaquim José da Silva Xavier, o Tiradentes e do pintor espanhol Francisco de Goya;

1748 - nascimento da feminista, revolucionária, jornalista e escritora francesa Olympe de Gouges;

1749 - nascimento de Nicolas Appert, o francês que inventou a comida enlatada; nascimento do farmacêutico e joalheiro prussiano Jacob Schweppe, considerado o "pai do refrigerante", por criar o Schweppes (1783); nascimento do escritor prussiano Johan Wolfgang von Goethe (autor de Fausto);

1750 - assinatura do Tratado de Madrid (a Colônia de Sacramento seria da Espanha e os Sete Povos das Missões, de Portugal); com a morte de D. João V, o Rei de Portugal passou a ser D. José I, que nomeou o Marquês de Pombal como seu Ministro; o Aleijadinho deu início às esculturas do Santuário de Bom Jesus de Matosinhos, em Congonhas (MG)

Resumo da Década: na última década de nosso texto, podemos destacar Thomas Jefferson, Tiradentes e Olympe de Gouges, uma das poucas mulheres citadas, naquele período. Em 1791, ela escreveu a Declaração dos Direitos da Mulher e da Cidadã, inspirada na Declaração dos Direitos do Homem e do Cidadão. Mas, esse documento praticamente ficou desconhecido até 1986, quase duzentos anos depois de escrito. Em seu Artigo 1º, afirma: 

A mulher nasce livre e tem os mesmos direitos do homem. As distinções sociais só podem ser baseadas no interesse comum.



QUESTÕES

1) A palavra "museu" surgiu da palavra "musa". Segundo a Mitologia, quem era as musas (origem, nomes, quantidade, o que presidiam):


2) No Mapa abaixo, podemos observar que a pecuária (verde escuro) desenvolveu-se, no Século XVIII, nas proximidades da região do ouro e dos diamantes (laranja). Procure, no texto do link, a explicação para essa situação:


Link: https://proteuseducacaopatrimonial.blogspot.com/2013/12/agropecuaria-em-minas-no-seculo-xviii-e.html


3) Pesquise e resuma quem foi Olympe de Gouges:


4) Quem foram Cláudio Manuel da Costa e José Basílio da Gama (pode pedir auxílio para a Professora de Literatura)?


QUESTÃO OPCIONAL: Cruzadinhas


Link: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/stj/wp-content/uploads/2020/08/economia-mineira.jpg

Pistas:

1. Tipo de ouro encontrado no leito dos rios, que era predominante na região das Minas Gerais, e cuja extração não necessitava de muito investimento. 

2. Garimpeiro sem muitos recursos que trabalhava sozinho ou com poucos escravos buscando ouro no leito dos rios. 

3. Nome como ficou conhecida a região que pertencia à capitania de São Paulo e onde foi encontrado ouro no final do século XVII. 

4. Uma das primeiras povoações a surgir na região aurífera, logo tornou-se um centro populoso e foi capital das Minas Gerais até o final do século XIX. 

5. Mina grande e de exploração mais difícil, em galerias subterrâneas, e onde se utilizavam muitos trabalhadores, equipamentos e maquinários. 

6. Confronto sangrento, travado de 1707 a 1709, entre paulistas descobridores das minas e os forasteiros que foram atraídos para a região aurífera. 

7. Imposto cobrado por Portugal equivalente a 20% de todo ouro e diamantes extraídos. 

8. Taxa de aproximadamente 17 gramas de ouro cobrada pela propriedade de cada escravo com mais de 12 anos de idade. 

9. Órgão encarregado de fundir o ouro extraído e arrecadar os tributos sobre a mineração como o quinto. 

10. Revolta ocorrida em 1720 contra as medidas impostas pela Metrópole sobre a mineração como a proibição da circulação de ouro em pó e a criação das Casas de Fundição. 

11. Produto extraído nas Minas Gerais que, diferente do ouro, era estanco régio, isto é, monopólio exclusivo da Coroa e proibido de ser explorado por particulares. 

12. Cidade para onde foi transferida a capital da colônia em 1763. 

13. Setor econômico que recebeu forte estímulo com os novos e diversos ofícios e atividades surgidas com a exploração do ouro e diamantes. 

14. Eles conduziam grandes tropas de gado bovino e muares percorrendo os sertões do Rio São Francisco e os caminhos do sul da colônia para comercializar na região das Minas Gerais. 

15. Uma das consequências do crescimento demográfico e da concentração populacional nas vilas. 

16. Estilo artístico que predominou nas igrejas construídas nas Minas Gerais, Bahia e Rio de Janeiro na época da mineração. 

17. Apelido de um dos principais representantes da arte mineira do século XVIII. 



PRIMEIROS ANOS - ATIVIDADE 4 (TERCEIRO TRIMESTRE) - CRISTÃOS E MUÇULMANOS

Como vimos, na Atividade 2 (As Religiões Medievais), o Cristianismo e o Islamismo desenvolveram-se na Idade Média, e seus seguidores viviam em regiões próximas. Na Mapa abaixo, podemos ver as religiões que existiam, no Ano 1000 (em verde o Islamismo e em azul o Cristianismo):


Os muçulmanos (seguidores do Islamismo) não tinham grandes problemas com outras religiões, mas os cristãos tinham (também já vimos isso): eles não aceitavam pessoas de outras religiões (intolerância religiosa). E, na Idade Média, cristãos e muçulmanos travaram duas grandes batalhas: a Guerra da Reconquista (711 a 1492) e as Cruzadas (1096 a 1270). Nesse texto, vamos conhecer detalhes das duas:


Antônio Poteiro (1925/2010) - Cavalhada (1991)

Você já ouviu falar em Cavalhada? É uma celebração que teve origem em Portugal (terra do pintor Antônio Poteiro) e veio para o Brasil, principalmente em Pirenópolis (GO), Poconé (MT), Guarapuava (PR), Vacaria (RS) e Campos dos Goytacazes (RJ), entre outros. Nelas, há uma "disputa" entre cristãos e mouros (muçulmanos, também chamados de sarracenos).

A Guerra da Reconquista

No ano 711, Tārik ibn Ziyād (670/720) comandou a invasão da Península Ibérica (Batalha de Guadalete), onde já existiam os Reinos Cristãos. Depois da vitória inicial, os mouros (outro nome dado aos muçulmanos) dominaram Sevilha (713), Coimbra (714) e, em pouco tempo, dominavam toda a Península. O próximo passo foi a invasão do Reino Franco, mas foram derrotados pelas tropas de Carlos Martel (690/741) na Batalha de Poitiers ou Tours (732). Assim, ficaram na Península Ibérica. Mas, os Reinos Cristãos logo começaram a reconquistar as terras invadidas, na Guerra da Reconquista (711 a 1492):


Os principais Reinos Cristãos eram Leão, Castela, Navarra e Aragão, além do Condado da Catalunha. Do Reino de Leão surgiu o Reino de Portugal (1139), enquanto que os demais reinos deram origem à Espanha. Os muçulmanos dominaram a Península Ibérica até 1492 (Século XV), quando foram expulsos pelos Reis Católicos, Fernando II de Aragão (1452/1516) e Isabel I  de Castela (1451/1504):


Os árabes ocuparam o Sul da Península, que chamavam de Al-Andalus. Nos sete séculos que ali viveram, fizeram muitas trocas culturais com os cristãos, lhes ensinando a produzir álcool, utilizar os algarismos indo-arábicos (0, 1, 2, 3, 4, 5...), cultivar diversos tipos de plantas, como café, cana de açúcar, laranjas, limões, etc., e utilizar palavras de origem árabe, como alfândega, altar, assassino e outras, por exemplo. Até hoje, podemos encontrar muitas construções no estilo muçulmano, em Portugal e na Espanha, como o Palácio de Alhambra, por exemplo:


As Cruzadas

Com a Guerra da Reconquista, os muçulmanos tornaram-se inimigos dos europeus cristãos, e o clima de hostilidade era constante porque eles queriam aumentar seu território, seja na Europa ou em Constantinopla, que tentaram invadir diversas vezes. Mas, até mesmo entre eles, haviam divergências: no início do Império (Século VII), a Capital era a cidade de Medina. Mas, em 661, a Dinastia Omíada passou a dominar o Império, e mudou a capital para Damasco (atual capital da Síria). Foram os Omíadas que dominaram a Península Ibérica:


No Século VIII (750), outra família dominou o Império: os Abássidas, que fizeram sua capital em Bagdá (atual capital do Iraque). Os Omíadas continuaram governando Al-Andalus, separados dos Abássidas. O Califado Abássida durou até o Século XVI, em algumas regiões.


Outro grupo que merece destaque, é dos turcos seljúcidas, que fizeram um Império, que durou de 1072 até 1092. Apesar de ter tido curta duração, esse Império entrou em conflito com os bizantinos e cristãos, tentando invadir Constantinopla e impedido que cristãos entrassem em Jerusalém.


Vendo os invasores como uma ameaça, o Papa Urbano II (1042/1099) convocou os reis e nobres cristãos para o Concílio de Clermont (1095), onde convocou a cristandade a lutar contra os muçulmanos, naquilo que ficou conhecido como Cruzada, por causa da cruz de Cristo.


Como haviam muitos interesses em jogo, principalmente religiosos e comerciais, muitos resolveram acolher a proposta. Mas, enquanto se preparavam, houve a Cruzada dos Mendigos (1096), liderada por Pedro, o Eremita (1053/1115), que fracassou. A Primeira Cruzada ocorreu entre 1096 e 1099, e ficou famosa pelo massacre que os cristãos fizeram, em Jerusalém, matando muçulmanos, judeus, e até mesmo cristãos, num verdadeiro banho de sangue, no episódio que fico conhecido como Massacre de Jerusalém (1099):


Após a Primeira, ainda houveram ainda mais sete cruzadas oficiais, totalizando oito cruzadas oficiais, além da Cruzada Albigense (1143) e a Cruzada das Crianças (1212):


A mais famosa Cruzada foi a terceira, que ficou conhecida como Cruzada dos Reis, por causa da participação dos reis Filipe II da França (1165/1223), do Imperador Frederico Barba Ruiva, do Sacro Império Romano Germânico (1122/1190) e do Rei Ricardo Coração de Leão da Inglaterra (1157/1199). 

Resultado das Cruzadas: as Cruzadas influenciaram a cavalaria europeia e, durante séculos, sua literatura. Se, por um lado aprofundaram a hostilidade entre o Cristianismo e o Islã, por outro estimularam os contatos econômicos e culturais para benefício permanente da civilização europeia. O comércio entre a Europa e a Ásia Menor aumentou consideravelmente e a Europa conheceu novos produtos, em especial, o açúcar e o algodão. Os contatos culturais que se estabeleceram entre a Europa e o Oriente tiveram um efeito estimulante no conhecimento ocidental e, até certo ponto, prepararam o caminho para o Renascimento.

Ordens Militares: a fim de proteger os cristãos que viajavam até a Terra Santa, surgiram as ordens militares, formadas por cavaleiros que seguiam regras rígidas de condutas, e tornaram-se verdadeiras potências, sendo até mesmo perseguidos pelo Rei da França e pelo Papa. As principais ordens militares foram: Ordem dos Templários (1118), Ordem de São João de Jerusalém ou Ordem dos Hospitalários (1136), Ordem de São Lázaro de Jerusalém (1142), Ordem de Alcântara (1154), Ordem de Calatrava (1158), Ordem de Santiago (1160), Ordem de Avis (1176), etc.


QUESTÕES

1) Explique, com suas palavras, a Guerra da Reconquista e as Cruzadas:

2) Pesquise dez palavras da língua portuguesa que vêm do árabe:

3) A lenda de Robin Hood está relacionada ao Rei Ricardo Coração de Leão, da Terceira Cruzada. Qual é essa relação?

4) Outra lenda relacionada com as Cruzadas é a origem da Sexta-feira 13 (Azar). Qual é essa relação?



QUESTÃO OPCIONAL: leia o texto Os Templários: Os Poderosos e Temidos Monges Guerreiros (link abaixo) e explique os símbolos (selos, vestuários e diferentes tipos de cruz) que eles utilizavam. No segundo link, você poderá saber mais sobre o fim deles e a origem da Sexta-feira 13:


Link 2: https://ensinarhistoriajoelza.com.br/a-queda-dos-templarios-e-a-maldicao-de-jacques-de-molay/







NONO F - ATIVIDADE 3 (TERCEIRO TRIMESTRE) - A DITADURA MILITAR (PARTE I)

 Antes de lermos sobre o Período, vamos analisar a palavra Ditadura:

DITADURA: é um governo regido por uma pessoa ou entidade política onde não há participação popular, ou seja, uma forma de autoritarismo.


No Brasil, já tivemos duas ditaduras: o Estado Novo (1937 a 1945) e a Ditadura Militar (1964 a 1985). Na primeira, quem governou o país foi Getúlio Vargas e na segunda, foram os militares.  O povo não elegeu nenhum presidente, nestes períodos, e também houve censura, nos dois. A ausência de votos (e partidos políticos), bem como a censura, são características de ditaduras.


A Ditadura Militar (alguns chamam de cívico-militar porque dizem que houve participação de civis, nessa Ditadura, apesar dos presidentes serem militares) durou 21 anos, começando em 1964, quando o então Presidente João Goulart foi para o Uruguai e os militares ocuparam o cargo. O primeiro foi o Marechal Castelo Branco:

26) Humberto de Alencar Castelo Branco (1897/1967): nascido no Ceará, ele governou o Brasil de 1964 a 1967 e foi um dos organizadores do Golpe de 1964, que afastou do poder o PTB (Partido Trabalhista Brasileiro) e o Presidente João Goulart. Ainda no início de seu Governo, foi assinado o Ato Institucional 1 ou AI-1 (9 de Abril de 1964). Nele, o Golpe de 64 foi chamado de "revolução" e foram cassados os direitos políticos de 102 cidadãos por dez anos, entre eles os ex-presidentes João Goulart, Juscelino Kubitschek e Jânio Quadros, governadores, deputados, senadores e outros. No ano seguinte, em 27 de Outubro de 1965, foi assinado o Ato Institucional número 2 (AI-2), que acabou com o pluripartidarismo (vários partidos) e instituiu apenas dois: a Aliança Renovadora Nacional (ARENA) e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB), para que parecesse uma democracia. Mas, o povo apelidou de partido do "sim" e do "sim, senhor". Pelo AI-2, também, o Governo poderia demitir funcionários concursados, tirar prefeitos e governadores de seu cargo, e até fechar o Congresso, se quisesse.


Em 5 de Fevereiro de 1966, Castelo Branco assinou o AI-3. Por ele, ficou decidido que as Assembleias Legislativas é que escolheriam os governadores e vice-governadores de cada Estado, e os governadores é que escolheriam os prefeitos. E, em 7 de Dezembro de 1966, assinou o AI-4, que convocava o Congresso Nacional para criar uma nova Constituição e eliminar a Constituição de 1946. A Constituição de 1967 foi promulgada em 24 de Janeiro de 1967, pouco mais de um mês depois do AI-4:

Essa Constituição incorporou o AI-1, o AI-2, o AI-3 e o AI-4, entre outras leis. Logo depois, em 15 de Março de 1967, foi aprovada a Lei de Segurança Nacional (Decreto-Lei 314), que punia com pena de 5 a 20 anos quem tentasse "entregar" o Brasil a outro país (no caso, a União Soviética) e de 5 a 15 anos para quem tentasse "planejar" algo contra o Brasil, com outra nação, por exemplo. Era a Guerra Fria entrando no Brasil, através das leis feitas pelos militares.


Ainda em 1966, houve um atentado terrorista contra o Ministro da Guerra, o Marechal Costa e Silva, mas fracassou. Os estudantes também começaram a protestar, e alguns políticos formaram a Frente Ampla, contra a Ditadura. Tudo isso contribuiu para o endurecimento do regime militar contra a oposição, que eles chamavam de "terroristas" e "subversivos".


Nessa época, também começaram os festivais da canção, programas de televisão que escolhiam a melhor canção do ano. Neles, os músicos começaram a apresentar canções de protesto, contra a Ditadura. Alguns exemplos:

a) Disparada (1966): o paraibano Geraldo Vandré (1935/) compôs, e Jair Rodrigues (1939/2014) cantou essa música, que comparava o boiadeiro e a boiada, com as classes sociais (ricos e pobres);


b) O Homem (1966): composta por Millôr Fernandes (1923/2012) e interpretada por Nara Leão (1942/1989), essa música usava uma gíria inglesa (The Man), que significava "governo" ou "alguém com autoridade";

c) Alegria-Alegria (1967): canção composta e cantada por Caetano Veloso (1942/), que apresentava o Tropicalismo e falava de notícias num jornal;


d) Roda Viva (1967): composta e interpretada por Chico Buarque de Holanda (1944/), essa canção fazia parte de uma peça teatral, que mostrava a carreira de um cantor, massificado pela televisão. Mas acabou virando música de protesto e, em 1986, batizou um programa de entrevistas, que existe até hoje.


Castelo Branco fundou o BNH (Banco Nacional de Habitação) em 1964, a EMBRATEL (Empresa Brasileira de Telecomunicações) e a EMBRATUR (Empresa Brasileira de Turismo), ambas em 1966, o FGTS (Fundo de Garantia por Tempo de Serviço) em 1966, o Cruzeiro Novo (1967), a Zona Franca de Manaus (1967) e deu início as conversações com o Paraguai, para construir a Usina Hidrelétrica de Itaipu (inaugurada em 1982), entre outras ações. Em 1981, foi homenageado numa cédula de dinheiro:


27) Artur da Costa e Silva (1899/1969): foi "eleito" pelo Congresso, pelos representantes da ARENA (o MDB não votou), e governou o Brasil de 1967 a 1969. Esperava-se a redemocratização do país, mas a aprovação da Constituição de 1967 e a extinção da Frente Ampla demonstravam que isso poderia demorar para acontecer. Além disso, os grupos de luta armada começavam a agir: a VPR (Vanguarda Popular Revolucionária), por exemplo, explodiu um carro, em frente a um quartel do exército, matando o soldado Mário Kozel Filho (1949/1968), e não foi somente isso:


O Ano de 1968 foi agitado, em todo o mundo:

28 de Março: num conflito entre estudantes e a polícia do RJ, o estudante Edson Luís de Lima Souto (1950/1968) foi baleado e morreu;

30 de Março: foram feitas manifestações estudantis em vários estados, apesar da proibição do Governo;

22 de Abril: milhares de operários fizeram greve, em MG;

26 de Junho: Passeata dos Cem Mil, na Guanabara (RJ);

17 de Julho: foram proibidas as manifestações de rua;

19 de Julho: a CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil) condenou a falta de liberdade;

02 de Setembro: o Deputado Márcio Moreira Alves (1936/2009) fez um discurso que irritou os militares;

13 de Setembro: os ministros militares protestaram contra o discurso do deputado;

12 de Outubro: 1240 estudantes foram presos em Ibiúna (SP), porque realizaram o 30º Congresso da UNE, que havia sido proibido;

22 de Novembro: foi criado o Conselho Superior de Censura;

13 de Dezembro: o Congresso rejeitou a proposta do Governo, de processar o deputado Márcio Moreira Alves; o Presidente assinou o AI-5.

O que aconteceu: em 1968, parece que todos estavam querendo mudar o mundo: houveram protestos na França. nos Estados Unidos, no México, no Brasil. Os estudantes protestavam contra o aumento das mensalidades, contra a Guerra do Vietnã, contra a Ditadura, e cada Governo agia de um jeito. No Brasil, foram proibidas reuniões, e mesmo assim fizeram, sendo presos aos milhares. Além disso, os festivais da canção pioravam os protestos, artistas saíam às ruas apoiando quem protestava, e até o Deputado Márcio Moreira Alves "ofendeu" o Governo. Assim, em 13 de Dezembro de 1968, foi editado o AI-5, que ampliou a Ditadura, no Brasil. 


O Congresso Nacional foi fechado, bem como as assembleias legislativas, em todos os estados. Passou-se a fazer censura na música, no teatro, no cinema, na televisão, nos livros, jornais e revistas. Foram proibidas reuniões (sindicatos, grêmios estudantis, passeatas, greves, etc.), foi suspenso o habeas corpus (a polícia poderia prender aa pessoa para "averiguações", sem mandato judicial), o Governo agora tinha o poder de despedir funcionários públicos e até juízes, entre outras medidas. A revista Veja (1968) estampou, na capa, uma foto do Presidente sozinho, sentado no Congresso nacional, para simbolizar o que houve:


No Festival Internacional da Canção (FIC), da Rede Globo (1965), a canção vencedora foi Sabiá, de Tom Jobim (1927/1994) e Chico Buarque. Mas o público "elegeu" Pra Não Dizer que Não Falei das Flores" ou "Caminhando e Cantando", de Geraldo Vandré, como "música do ano' e "hino Contra a Ditadura":

Vem, vamos embora
Que esperar não é saber
Quem sabe faz a hora
Não espera acontecer


Durante seu governo, foram criados a Embraer (aviação. 1969), a Fundação Nacional do Índio (FUNAI, 1967), o Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação (FNDE, 1968), o Movimento Brasileiro de Alfabetização (MOBRAL, 1967) e a Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos (ECT, 1969), entre outros.


Em 31 de Agosto de 1969, Costa e Silva teve um AVC, falecendo em 17 de Dezembro daquele ano. Ainda em 31 de Agosto, foi "eleita" uma Junta Governativa Provisória, composta pelos três ministros militares: o Almirante Augusto Rademaker (1905/1985), o General Aurélio de Lira Tavares (1905/1998) e o Brigadeiro Márcio de Sousa Melo (1906/1991). Eles governaram o Brasil de 31 de Agosto até 30 de Outubro de 1969, quando foi "eleito" Emílio Garrastazu Médici.



Em 1969, houve a Revolta de Stonewall (início das manifestações LGBT), nos Estados Unidos da América, Neil Armstrong (1930/2012) tornou-se o primeiro ser humano a pisar na Lua, aconteceu o Festival de Woodstock (EUA), foi enviada a primeira mensagem pela ARPANET (a "mãe" da Internet), a atriz Sharon Tate (1943/1969) e outros, foram assassinados pela Família Manson, estreou o Jornal Nacional, na Rede Globo, Caetano Veloso e Gilberto Gil foram para a Inglaterra, após dois meses presos e Chico Buarque e sua esposa, a atriz Marieta Severo (1946/), foram para a Itália, afastando-se da repressão.

Gilberto Gil: Aquele Abraço (1969): 


QUESTÕES

1) No início da Ditadura Militar, foram criados os Atos Institucionais (AI). Abaixo, os cinco primeiros. O que eles decidiram?

AI-1:
AI-2:
AI-3:
AI-4:
AI-5:

2) Abaixo, a capa do livro 1968: O Ano que não terminou, de Zuenir Ventura (1931/). O que aconteceu nesse ano?


QUESTÃO OPCIONAL: leia o texto A “canção de protesto”: a música contra a ditadura militar (Link abaixo), dê o nome de cinco canções citadas no texto, e escreva sobre uma delas (quem criou, de que ela fala, quais os versos principais, etcc.):