segunda-feira, 23 de março de 2020

O Processo de Formação e Independência dos EUA

Diferente do Brasil, a colonização dos Estados Unidos só começou no Século XVII: em 1606, o Rei Jaime I (1566/1625) permitiu que as empresas Plymouth Company e London Company organizassem essa colonização.  


A colonização em terras americanas foi deixada a cargo de duas empresas: as companhias de Londres e de Plymouth. É por isso que é comum dizer que a colonização dos Estados Unidos foi feita pela iniciativa privada, fato que se tornou um dos pilares da civilização norte-americana, do qual eles se orgulham tanto. (Igor Fuser, "Os Donos do Mundo", revista Aventuras na História 35, de Julho de 2006).


A primeira colônia a ser fundada foi a Virgínia, em 1607, e o primeiro povoado foi Jamestown (1608). Logo, foram sendo fundadas as outras doze, conforme a sequência abaixo:

1607 - Virgínia;
1626 - New York;
1630 - Massachussets;
1633 - Maryland;
1636 - Rhode Island e Connecticut;
1638 - New Hampshire e Delaware;
1653 - Carolina do Norte;
1663 - Carolina do Sul;
1664 - New Jersey;
1682 - Pensilvânia;
1732 - Geórgia.

É importante que diferenciemos as 13 colônias: aquelas em AZUL, faziam parte da Nova Inglaterra: eram COLÔNIAS DE POVOAMENTO, criadas pelos peregrinos, que desenvolveram uma economia diversificada, com mão-de-obra familiar; as quatro em LARANJA, compunham a Nova Holanda e pertenciam à Companhia Holandesa das Índias Orientais, mas foram "tiradas" dos holandeses em 1664, e mudaram o nome para New York. Tinham uma economia mista; as colônias em VERMELHO eram COLÔNIAS DE EXPLORAÇÃO, e desenvolveram uma economia de exportação, com produtos como tabaco, índigo (matéria-prima do anil) e arroz, sendo cultivados por mão-de-obra escrava. 

* No Mapa abaixo, as Colônias do Norte (Nova Inglaterra, Povoamento) estão em Verde, as Colônias Centrais (Nova Holanda e, depois, Nova York) estão em Amarelo e as Colônias do Sul estão em Laranja.


É importante percebermos essas diferenças, para entendermos que as colônias não foram povoadas da mesma forma, não seguiam as mesmas regras, não tinham a mesma religião e nem a mesma forma de "obediência" à Inglaterra. Observe esse trecho:

Para os americanos, o evento fundador de sua nacionalidade foi a chegada do advogado britânico e puritano John Winthrop (1588/1649) a Massachusetts, em 1630.


Winthrop e as cerca de 700 pessoas que o acompanharam deixaram a Inglaterra para criar sua própria sociedade, num lugar ainda intocado pelos vícios: a América. Eles adoravam a ideia de estarem chegando a uma espécie de Terra Prometida, a ser regida pelas leis divinas e, portanto, predestinada a dar certo e a se tomar um exemplo de virtude para o resto do mundo; (Igor Fuser, "Os Donos do Mundo", revista Aventuras na História 35, de Julho de 2006).


De certa forma, tudo foi evoluindo naturalmente, até a Guerra dos Sete Anos (1756 a 1763), entre a Inglaterra e a França. Após essa Guerra, a Inglaterra decidiu cobrar impostos das colônias, com o objetivo de recuperar os gastos com a Guerra. Veja as datas abaixo:

1764 – Sugar Act (Lei do Açúcar): todo açúcar que não fosse comprado nas Antilhas Inglesas seria taxado;

1765 – Stamp Act (Lei do Selo): determinava que jornais, livros e documentos publicados nas colônias deveriam pagar uma taxa (o “selo”); foi revogada em 1766;

1767 a 1768 – Atos Towshend: uma série de atos, criados por Charles Towshend (1725/1767), que taxavam artigos de consumo, como chá, vidro, papel e outros. Esses Atos provocaram os primeiros confrontos, entre os colonos e a Inglaterra;




1773 – Tea Act (Lei do Chá): obrigava os colonos a consumir o chá da Companhia das Índias Orientais Britânicas;

1773 – Festa do Chá de Boston (Boston Tea Party): colonos, disfarçados de índios, invadiram navios que traziam chá, e jogaram a carga no mar. Esse ato provocou novas medidas, por parte da Inglaterra:



1774 – A Boston Tea Party provocou as chamadas Leis Intoleráveis (Intolerable Acts ou Coercive Acts):

1) fechamento do Porto de Boston, até que a Companhia Britânica das Índias Orientais fosse indenizada pelos prejuízos;
2) suspensão de reuniões, na Colônia de Massachussets;
3) proibição de manifestações contra a Inglaterra;
4) todos os julgamentos feitos nas colônias deveriam ser feitos por autoridades inglesas;
5) obrigatoriedade dos colonos proporcionarem alojamento para soldados ingleses;
6) redução das colônias norte-americanas, para ampliar o território canadense;
7) ocupação da Colônia de Massachussets por soldados ingleses.

Obviamente, os colonos ingleses se revoltaram contra essas leis, e decidiram reunir-se na Filadélfia:

1774 - Primeiro Congresso da Filadélfia: 12 das 13 Colônias (exceto a Geórgia), reuniram-se no Carpenter's Hall, em Filadélfia, na Pensilvânia. Ali, decidiram escrever uma carta para o Rei George III (1738/1820), pedindo o fim das Leis Intoleráveis e outras, que faziam entraves ao desenvolvimento colonial (Declaração e Resolução do Primeiro Congresso);



O Parlamento Inglês e o Rei George III não atenderam o pedido das Colônias. Assim, os colonos resolveram fazer outra reunião:

1775 a 1776 - em 1775, reuniram as 13 Colônias, na Filadélfia. Desta vez, os representantes decidiram redigir uma carta de independência, que foi redigida por Thomas Jefferson (1743/1826), com sugestões feitas por John Adams (1735/1826), Benjamin Franklin (1706/1790) e outros, os chamados Fouding Fathers ("Pais Fundadores", como os americanos chamam os assinantes dessa Carta).




Link para a Declaração de Independência dos Estados Unidos da América (4 de Julho de 1776): http://www.arqnet.pt/portal/teoria/declaracao_vport.html

Trecho: 

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.

A Guerra de Independência dos Estados Unidos (chamado, por alguns, de Revolução Americana), durou de 1775 a 1783. Algumas considerações:

1) os Estados Unidos da América foi o primeiro país a ter um presidente eleito e Três Poderes, conforme a ideia de Montesquieu (Teoria dos Três Poderes). Sobre isso, vamos ler o que escreveu José Murilo de Carvalho, no livro A Formação das Almas:

Sem se discutir se era correta a visão da ausência de identidade coletiva entre os habitantes das Treze Colônias, a ênfase no indivíduo levou os fundadores a se preocupar particularmente com os aspectos organizativos da nova sociedade. Se não havia laços afetivos de solidariedade, tornava-se mais difícil, com base apenas no cálculo do interesse, fundar a nova sociedade política. Como observa Hannah Arendt em On revolution, no caso americano a verdadeira revolução já estava feita antes da independência. A revolução era a nova sociedade que se implantara na América. Coube aos fundadores promover a constitutio libertatis, a organização da liberdade, mais do que fazer a declaração da liberdade. Talvez por isso, ainda segundo Hannah Arendt, a Revolução Americana tenha sido a única que não devorou seus filhos, tenha sido a de maior êxito em se institucionalizar. O contraste com a Revolução Francesa é nítido. Nesta, predominou a declaração de liberdade em prejuízo de sua ordenação. Nos Estados Unidos, Montesquieu era o autor mais importante; ma França, era Rousseau (José Murilo de Carvalho, A Formação da s Almas, pág. 19).





Vídeo: em 1999, dois adolescentes fizeram um assassinato em massa, na Columbine High School (EUA). Depois disso, o documentarista Michael Moore realizou um documentário, intitulado Tiros em Columbine (2002). Nesse documentário, há uma história em quadrinhos, que procura explicar o medo, na cultura americana, desde o início da História daquele país. A ideia é entender um pouco mais do conteúdo, relacionando-o com o vídeo em questão, que tem apenas 3:18 minutos: https://www.youtube.com/watch?v=jjGHspbfhzk


ATIVIDADES

TERCEIROS ANOS – ATIVIDADE 2 – INDEPENDÊNCIA DOS EUA

1) (FGV) A conquista colonial inglesa resultou no estabelecimento de três áreas com características diversas na América do Norte.

Com relação às chamadas “colônias do sul” é correto afirmar:

a) Baseava-se, sobretudo, na economia familiar e desenvolveu uma ampla rede de relações comerciais com as colônias do Norte e com o Caribe.

b) Baseava-se numa forma de servidão temporária que submetia os colonos pobres a um conjunto de obrigações em relação aos grandes proprietários de terras.

c) Baseava-se numa economia escravista voltada principalmente para o mercado externo de produtos, como o tabaco e o algodão.

d) Consolidou-se como o primeiro grande polo industrial da América com a transferência de diversos produtores de tecidos vindos da região de Manchester.

e) Caracterizou-se pelo emprego de mão de obra assalariada e pela presença da grande propriedade agrícola monocultora.

2) Qual a relação entre o trecho abaixo, e a independência dos EUA?

Winthrop e as cerca de 700 pessoas que o acompanharam deixaram a Inglaterra para criar sua própria sociedade, num lugar ainda intocado pelos vícios: a América. Eles adoravam a ideia de estarem chegando a uma espécie de Terra Prometida, a ser regida pelas leis divinas e, portanto, predestinada a dar certo e a se tomar um exemplo de virtude para o resto do mundo; (FUSER, I. Os donos do mundo: o grande império americano. Aventuras na História, São Paulo, p. 26 – 33, 01 jul. 2006.)

3) Assista o vídeo, retirado do Documentário Tiros em Columbine (2002), e faça uma relação entre ele e a Independência dos EUA: essa relação existe ou não? Justifique a sua resposta;

4) Essa frase, retirada da Declaração de Independência dos Estados Unidos da América, tem relação com qual ideia?

Consideramos estas verdades como evidentes por si mesmas, que todos os homens são criados iguais, dotados pelo Criador de certos direitos inalienáveis, que entre estes estão a vida, a liberdade e a procura da felicidade.

a) os colonos acreditavam que todos deveriam ser tratados de forma idêntica, incluindo os escravos, das colônias sulistas;

b) segundo eles, o Criador (Deus) é que deveria definir como as colônias deveriam agira, independentemente do que a Inglaterra ordenasse;

c) Direitos inalienáveis são aqueles que nos permitem estar por dentro de tudo, e não sermos alienados;

d) segundo os colonos americanos, as pessoas têm direitos que são naturais, isto é, ninguém deu, então, ninguém deve tirar;

e) os colonos estavam infelizes e, por isso, queriam libertar-se da Inglaterra;

4.1) Agora que você escolheu a opção, justifique a sua escolha:

quinta-feira, 19 de março de 2020

A Conjuração Baiana de 1798

A Conjuração Baiana foi uma conspiração de caráter popular contra a Coroa portuguesa ocorrida em no ano de 1798.

No final do Século XVIII, a população baiana somava por volta de 60 mil habitantes. Mais da metade da sociedade baiana era composta de afrodescendentes, escravos, ex-escravos, mestiços ou brancos pobres que exerciam atividades profissionais sem relevância social.

Entre essas atividades profissionais estavam os alfaiates, soldados de baixas patentes, artesãos, carregadores, pescadores, sapateiros, pedreiros e vendedores ambulantes. E foi justamente essa classe social que aderiu a Conjuração Baiana. Por isso, a conspiração também ficou conhecida como Conjuração dos Alfaiates.


A administração portuguesa alinhava-se com uma política escravista e exploratória que culminava em profundas desigualdades sociais na Capitania da Bahia. Enquanto a região Nordeste foi o polo da economia açucareira, a Coroa portuguesa manteve Salvador como o centro político-administrativo colonial. 

Entretanto, quando os interesses econômicos dos portugueses viram na extração de metais preciosos, sobretudo do ouro, uma nova exploração de riquezas, houve o deslocamento desse centro. Por isso, surgiu a necessidade de transferir a capital colonial mais próximo das regiões auríferas - Minas Gerais, Goiás e Mato Grosso.

Então, em 1763 a administração portuguesa transferiu a capital colonial de Salvador para o Rio de Janeiro. As desigualdades sociais já existiam conforme dito anteriormente, mas após esse episódio os problemas agravaram-se ainda mais.



Além disso, outro fator que impulsionou a revolta da população foi o preconceito racial que havia por parte da classe branca, rica e sobretudo portuguesa.

Inspirações da Conjuração Baiana


Ao passo que aumentava a indignação da população baiana com uma sociedade injusta e desigual, chegava notícias sobre lutas de independência e pensamentos liberais ocorridos em outros lugares.

Em 1789, o advento da Revolução Francesa foi um exemplo de movimento político reacionário de caráter popular que propagou ideias da formação de um Estado Democrático e da justiça social. Com base nos princípios do Iluminismo, houve a propagação do tripé “liberdade, igualdade e fraternidade”.

Semelhantemente, as informações sobre a Revolução Americana em 1776 reforçaram ainda mais o espírito de revolta dos baianos. Esta revolução garantiu a independência das treze colônias do domínio inglês.

Loja Maçônica Cavaleiros da Luz

A difusão dessas notícias foram impulsionadas ainda mais com a fundação da Loja Maçônica Cavaleiros da Luz na Capitania da Bahia.



O responsável pela iniciativa maçônica foi o militar francês Antoine Larcher. Ele foi um enviado especial da França com o objetivo de transmitir o decreto da abolição da escravatura.

Entretanto, durante o período em que Antoine Larcher esteve em Salvador, propagou-se as ideias iluministas e reacionárias que eram praticadas no país francês.

Nas reuniões da Loja Maçônica Cavaleiros da Luz, os membros traduziam e estudavam os textos dos pensadores franceses, como Jean-Jacques Rousseau e Voltaire (1694-1778). É importante destacar que participavam dessas reuniões importantes os intelectuais da Bahia. 

Portanto, as mensagens de liberdade e igualdade atraíram a população menos desfavorecida de Salvador, incitando assim uma reação contrária à Metrópole Portuguesa. 

Líderes da Conjuração Baiana


Articularam a Conjuração Baiana cinco principias líderes. O líder ligado a elite foi o médico, político e filósofo baiano Cipriano Barata (1762/1838).

A classe militar também reagia negativamente a política dos colonizadores portugueses. Os nomes que aderiram a conspiração representando a categoria foram os soldados baianos Luís Gonzaga das Virgens (1761/1799) e Lucas Dantas (1774/1799), que atuaram ativamente na divulgação da revolta.


Já os líderes que exerciam a profissão de alfaiate eram Manuel Faustino dos Santos Lira (1775/1799) e João de Deus do Nascimento (1771/1799).

Nos encontros, tomando como base os princípios iluministas, os líderes da Conjuração defendiam propostas democráticas. Entre elas:

• Abolição da escravidão no Brasil;
• Fundação de uma República Democrática;
• Eliminação do preconceito racial e dignidade na sociedade baiana;
• Aumento do soldo das tropas militares baiana;
• Emancipação política de Portugal;
• Liberdade de comércio com outros países.

Pasquins

As propostas dos líderes da Conjuração Baiana eram divulgadas através de textos satíricos chamados de pasquins.

Os pasquins tinham uma linguagem de mobilização e crítica política. Os revoltosos costumavam fixá-los em locais públicos da cidade, como nas portas das igrejas.

Luiz Gonzaga das Virgens e Cipriano Barata eram os principais líderes que escreviam os pasquins atacando violentamente a administração portuguesa, e conclamando ao povo para aderir a revolução e implantar um governo mais justo. Leia abaixo um exemplo um pasquim que circulou na época: 

"Povo, o tempo é chegado para defenderdes a vossa liberdade; o dia da nossa revolução, da nossa liberdade e da nossa felicidade está para chegar. Animai-vos que sereis felizes para sempre!"

Conjuração Baiana: delação, penalidades e fim


Os líderes da Conjuração Baiana conclamaram um motim no Campo do Dique no dia 25 de agosto. 

Entretanto, a reação do governo foi rápida e violenta. Isso porque Carlos Baltasar da Silveira delatou toda a conspiração para o governador da Bahia D. Fernando José de Portugal e Castro.

Sendo assim, a organização foi descoberta e o movimento foi totalmente disperso ainda na fase inicial. As topas militares do coronel Teotônio de Souza prendeu 49 pessoas. 

A Coroa portuguesa decretou diversas penalidades, como exílios e açoites. Todavia, os líderes alfaiates e os soldados receberam a penalidade máxima e mais cruel. 

Manuel Faustino dos Santos Lira e João de Deus do Nascimento, Luís Gonzaga das Virgens e Lucas Dantas foram executados, decapitados e tiveram suas cabeças penduradas na Praça da Piedade no dia 08 de novembro 1799.


Alguns membros da maçonaria cumpriram penas mais leves ou foram absolvidos, como Cipriano Barata que depois de julgado foi liberado pelos portugueses. 

A desproporcionalidade de penas aplicada pela Cora Portuguesa aos participantes da Conjuração Baiana se explica pela classe social dos mesmos, segundo o historiador Boris Fausto:

A severidade das penas foi desproporcional à ação e às possibilidades de êxito dos conjurados. Nelas transparece a intenção de exemplo, um exemplo mais duro do que o proporcionado pelas condenações aos inconfidentes mineiros. A dureza se explica pela origem social dos acusados e por um conjunto de outras circunstâncias ligadas ao temor das rebeliões de negros e mulatos. A insurreição de escravos iniciada em São Domingos, colônia francesa nas Antilhas, em 1791, estava em pleno curso e só iria terminar em 1801, com a criação do Haiti como Estado independente. Por sua vez, a Bahia era uma região onde os motins de negros iam se tornando frequentes. Essa situação preocupava tanto a Coroa como a elite colonial […].


terça-feira, 17 de março de 2020

Inconfidência Mineira

A Inconfidência Mineira, ou Conjuração Mineira, foi uma tentativa de revolta abortada pelo governo em 1789, em pleno ciclo do ouro, na então capitania de Minas Gerais, no Brasil, contra, entre outros motivos, a execução da derrama e o domínio português.
Foi um dos mais importantes movimentos sociais da História do Brasil. Significou a luta do povo brasileiro pela liberdade, contra a opressão do governo português no período colonial.


No final do século XVIII, o Brasil ainda era colônia de Portugal e sofria com os abusos políticos e com a cobrança de altas taxas e impostos. Além disso, a metrópole havia decretado uma série de leis que prejudicavam o desenvolvimento industrial e comercial do Brasil. No ano de 1785, por exemplo, Portugal decretou uma lei que proibia o funcionamento de indústrias fabris em território brasileiro.

Causas

Neste  período, era grande a extração de ouro, principalmente na região de Minas Gerais. Os brasileiros que encontravam ouro deviam pagar o quinto, ou seja, vinte por cento de todo ouro encontrado acabava nos cofres portugueses. Aqueles que eram pegos com ouro “ilegal” (sem  ter pagado o imposto”) sofria duras penas, podendo até ser degredado (enviado a força para o território africano).


Com a grande exploração, o ouro começou a diminuir nas minas. Mesmo assim as autoridades portuguesas não diminuíam as cobranças. Nesta época, Portugal criou a Derrama. Esta funcionava da seguinte forma: cada região de exploração de ouro deveria pagar 100 arrobas de ouro (1500 quilos) por ano para a metrópole. Quando a região não conseguia cumprir estas exigências, soldados da coroa entravam nas casas das famílias para retirarem os pertences até completar o valor devido.

Todas estas atitudes foram provocando uma insatisfação muito grande no povo e, principalmente, nos fazendeiros rurais e donos de minas que queriam pagar menos impostos e ter mais participação na vida política do país. Alguns membros da elite brasileira (intelectuais, fazendeiros, militares e donos de minas), influenciados pela ideias de liberdade que vinham do Iluminismo europeu, começaram a se reunir para buscar uma solução definitiva para o problema: a conquista da independência do Brasil.

Os Inconfidentes 

O grupo, liderado pelo alferes Joaquim José da Silva Xavier (1746/1792), conhecido por Tiradentes, era formado pelos poetas Tomás Antonio Gonzaga (1744/1810) e Cláudio Manuel da Costa (1729/1789), o dono de mina Inácio de Alvarenga Peixoto (1742/1793), o padre José da Silva Rolim (1747/1835), entre outros representantes da elite mineira. A ideia do grupo era conquistar a liberdade definitiva e implantar o sistema de governo republicano em nosso país. Sobre a questão da escravidão, o grupo não possuía uma posição definida. Estes inconfidentes chegaram a definir até mesmo uma nova bandeira para o Brasil. Ela seria composta por um triangulo verde num fundo branco, com a inscrição em latim: Libertas Quae Sera Tamen (Liberdade ainda que Tardia).

Consequências

A Inconfidência Mineira transformou-se em símbolo máximo de resistência para os mineiros, a exemplo da Guerra dos Farrapos para os gaúchos, e da Revolução Constitucionalista de 1932 para os paulistas. A Bandeira idealizada pelos inconfidentes foi adotada pelo estado de Minas Gerais.

Curiosidades

  • Na primeira noite em que a cabeça de Tiradentes foi exposta em Vila Rica, foi furtada, sendo o seu paradeiro desconhecido até aos nossos dias.
  • Tratando-se de uma condenação por inconfidência (traição à Coroa), os sinos das igrejas não poderiam tocar quando da execução. Afirma a lenda que, mesmo assim, no momento do enforcamento, o sino da igreja local soou cinco badaladas.
  • A casa de Tiradentes foi arrasada, o seu local foi salgado para que mais nada ali nascesse, e as autoridades declararam infames todos os seus descendentes.
  • Tiradentes jamais teve barba e cabelos grandes. Como alferes, o máximo permitido pelo Exército Português seria um discreto bigode. Durante o tempo que passou na prisão, Tiradentes, assim como todos os presos, tinha periodicamente os cabelos e a barba aparados, para evitar a proliferação de piolhos, e, durante a execução estava careca com a barba feita, pois o cabelo e a barba poderiam interferir na ação da corda.

Observação: vendo as duas imagens acima, fica fácil imaginar porque foi dada a preferência àquela com cabelos e barba: imprime mais imponência, mais dignidade, o que os cabelos e barba raspados retiram.

Fonte: https://www.sohistoria.com.br/ef2/inconfidencia/