sábado, 19 de maio de 2012

História da Música no Brasil - Parte 1

1 - Os Primórdios: nos três primeiros séculos de colonização, o que existiu foram bem definidas e isoladas formas musicais: os cantos para as danças rituais dos índios e os batuques dos escravos, a maioria dos quais também rituais. Ambos fundamentalmente à base de percussão: tambores, atabaques, tantãs, palmas, apitos, etc. Em outro extremo do cotidiano, sem se misturarem, as cantigas dos europeus colonizadores que tinham origem nos burgos medievais dos séculos XII a XIV. Fora desse tipo de música, o hinário religioso católico dos padres. Ainda a registrar os toques e as fanfarras militares dos exércitos portugueses aqui aquartelados.

Dança dos Tapuias, de Albert Eckhout (1612/1665)

Os primeiros nomes que se tornaram conhecidos como compositores foram Gregório de Matos Guerra (1636/1695), o Boca do Inferno, e Domingos Caldas Barbosa (1739/1800), que se popularizou com modinhas e lundus.

Domingo de Festa na Fazenda, de Hans Nobauer (1893/1971)

A consolidação da música popular constitui  uma criação que é contemporânea ao aparecimento das cidades. E deve-se deixar claro também  que música popular só pode existir ou florescer quando há povo.

Os gêneros mais populares da primeira metade do século XIX eram o lundu  (africanoe a modinha de origem portuguesa (só no último quarto do século surgiria o maxixe, visto por muitos como o primeiro gênero musical autenticamente brasileiro).

Lundu, de Johann Moritz Rugendas (1802/1858)

Uma das modinhas mais famosas, eleita pela Academia Brasileira de Letras, foi Chão de Estrelas (1937), de Sílvio Caldas (1908/1998) e Orestes Barbosa (1893/1966):

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2 - As Estrelas Pioneiras da MPB: na segunda metade do século XIX iriam se fixar os primeiros grandes nomes daqueles que iriam formar as bases do que é hoje considerada a nossa música popular: Xisto Bahia (1841/1894), que gravou o primeiro disco brasileiro, com o lundu Isso é Bom (1902), Joaquim da Silva Callado (1848/1880), que criou um dos primeiros grupos de choro, o Choro Carioca, em 1870, Chiquinha Gonzaga (1847/1935), autora de Ó Abre Alas (1901) e Corta Jaca (1904), Ernesto Nazareth (1863/1934), que compôs Odeon (1910) e Apanhei-te Cavaquinho (1915), o flautista Patápio Silva (1881/1907), Catulo da Paixão Cearense (1866/1946), autor de Luar do Sertão (1914), Pixinguinha (1897/1976), que compôs Carinhoso (1917/1937) e Rosa (1917) e se apresentou em Paris, com Os Oito Batutas, e Donga (1890/1974), que registrou como seu o primeiro samba, Pelo Telefone (1917).

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Isso é Bom (1902), na voz de Xisto Bahia

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O Corta-Jaca (Gaúcho), tango de Chiquinha Gonzaga

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Abertura da novela A Sucessora (1978) - Odeon, cantada por Nara Leão (1942/1989)

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Luar do Sertão, na voz da dupla sertaneja Tonico e Tinoco

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Rosa (1917), canta pela cantora Marisa Monte (1967/)

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Pelo Telefone (1917), primeiro samba brasileiro, na voz de Bahiano


Negro Fandango Scene (1822), de Augustus Earle (1793/1838)

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